goncalo | Sabado, 22 Agosto, 2009

Os meus posts acabam por ser, em grande parte, fruto dos saltos despreocupados entre páginas, vídeos, blogs… Mas para descobrir coisas destas vale a pena:


Por curiosidade, desta vez o motor foi a música “Spanish Caravan” dos Doors, na qual o Robbie Krieger usa parte da Leyenda, escrita inicialmente para piano e mais tarde transcrita para guitarra e eventualmente tornada conhecida (felizmente também já a conheço) por Andres Segovia.

goncalo | Segunda, 06 Julho, 2009

Eu ia fazer um post a dizer que já tinha ouvido uma versão desta música nalgum sítio mas não fazia ideia ser do Tim Buckley:


Afinal, o que ouvi anteriormente foi na minha biblioteca do iTunes, justamente do Tim Buckley, mas a versão do álbum. É o que digo, a minha biblioteca do iTunes tem uma vontade própria.

De qualquer forma, estava com vontade de fazer um post, e este é tão bom como outro qualquer.

goncalo | Quarta, 03 Junho, 2009

Mais uma vez, segundas leituras de uma música. Neste caso, “Girls and Boys” dos Blur sobre a qual, apesar de vagamente identificar versos de ironia e ácida crítica social, nunca me debrucei numa análise académica. Contudo, no outro dia encontrei este comentário (e desculpem-me o inglês), que deu uma dimensão ainda mais clara à música:

” It’s ironic but what isn’t ironic, when it comes to Blur, the most ironic band in pop history that the single that made Brit-pop a phenomenon had almost nothing to do with what followed, apart from maybe Pulp and the renegade band of freaks that Simon Price labeled as Romos. “Girls & Boys” was retro- new wave disco, a post-modern cross of Duran Duran and Chic. Opening with a bouncing, octave-jumping synth riff that becomes a virtual parody of Eurodisco as soon as the rhythm section kicks in, the undeniably catchy tune at first feels opposed to everything Blur is about, at least on their first two albums. They touched on dance on Leisure, but only as far as it concerned post- baggy hipsters. But here, they made an unabashed dance-club hit. It was only when you dug deeper, looking at the construction and hooks and Damon Albarn’s lyrics, that you realized it was totally, undeniably Blur. As a pop song, it is easily one of the best Blur ever recorded (meaning it was one of the best of their era), and they were clever enough (but they ain’t half been some clever bastards, have they?) to make it feel exactly like Eurotrash. Not only is the music accurate, they self-consciously twisted the sexuality of the song to make it feel like a bisexual favorite: the chorus is “looking for girls who are boys/who like boys to be girls/who do boys like they’re girls/who do girls like they’re boys/always should be someone you really love,” an absolutely devastating put-down of ’90s gender-bending, where even ambi-sexuals didn’t know whose fantasy they were fulfilling. Then, the song moves into social commentary “Avoiding all work/’Cause there’s none available” bringing it around full-circle, as it slowly becomes a picture of a culture, adrift in false expectations, dashed dreams, and media fantasias, that was only willing to celebrate hedonism. In that sense, it was an appropriate christening of the Brit-pop era, where hedonism reigned supreme, but again, most listeners missed the fact that Blur was lampooning this situation, even before it reached critical mass. Of course, when it did become a phenomenon, Blur dived right in, but that doesn’t diminish the power of one of their greatest singles.”

É de facto muito engraçado quando grande parte dos consumidores da música, na altura em questão, foram exactamente os ingleses estereotipados que pouco faziam no seu país e que passavam férias num qualquer país mediterrânico, com muita dança, bebida, sexo indiscriminado e, naturalmente, as recordações dessas aventuras: DSTs ( “you get nasty blisters” ).

Girls and Boys


goncalo | Quarta, 03 Junho, 2009

Aparentemente, há outros produtos desses país com algum interesse. E não, não me refiro às almôndegas do Ikea que, apesar de boas, quando regadas com o molho tradicional ficam intragáveis para o meu estômago ibérico.

Desta vez lembrei-me de um rapaz chamado Jens Lekman (lê-se “Iens”) que ouvi pela primeira vez aqui há 2 anos ou assim e que, dizem os “especialistas”, será um músico indie pop. Eu disso não sei muito… O que sei é que algumas das músicas dele me dão vontade de rir.

Na verdade, na maior parte das que conheço o ambiente é assim como que o de uma melancolia up-beat, nostálgico mas sem saber muito bem do quê. Mas isso, quanto muito poderia deixar-me com um sorriso meio idiota na cara, ou talvez por a mãos no ar e abanar os braços de um lado para o outro, nos dias de maior excentricidade. O que me dá realmente vontade de rir é essa atmosfera combinada com as letras, simples e com algumas rimas meio amarteladas mas com uma ironia não muito maldosa e que já faz com que o meu sorriso idiota se transforme no riso envegonhado de uma adolescente com um fraquinho, depois de dizer “Ai Jens, és mesmo parvalhão!”

Por outro lado, olhando para as letras apenas, muitas vezes não se adivinha o tipo de batida e ambiente criado pela mesma, a menos que já se saiba o que a casa gasta. No fim disto tudo, as músicas ficam lá pelo meio, entre os desamores e o gozar com os próprios desamores, entre o amor universal e os ódios de estimação, e acho que é isso que eu gosto nelas.

The Opposite Of Hallelujah


Cold Swedish Winter


Pretty Shoes


Manel | Terca, 19 Maio, 2009

© Polydor Records 2007.
© Polydor Records 2007.

Yep, confirmo! O sucessor de magpie, este “the man on the roof”, do Stephen Fretwell, é do mesmo calibre, ou seja, apesar de já não ser novidade, vale bem a pena!

Manel | Quinta, 14 Maio, 2009

© MGM Records 2007.
© MGM Records 2007.

De vez em quando acontece assim uma surpresa destas. Esta rapariga de repente ganhou as luzes da ribalta quando apareceu em 2007 em Chicago, no festival Crossroads organizado pelo Eric Clapton, a tocar na banda do gigante e lendário Jeff Beck. Eis senão quando o Jeff se cala para dar lugar a um solo impressionante de baixo desta rapariga, nos seus tenros 21 anos e parece que tudo parou… Aconteceu-me a mim e aconteceu a toda a gente: “alto e pára o baile, mas quem é ela? Filha do Jeff (esse foi um boato que correu)? Uma miúda da assistência? Nada disso! Esta Australiana fantástica, naquele dia já trazia um currículo que incluía a parceria com o Chick Corea, Allman Brothers, Frank Gambale, entre outros notáveis. Lá atrás no palco, já toda a gente lhe devia o devido respeito, mas foi nesse momento que quem estava do lado de cá ficou a saber de que massa se fazia aquela miúda que tinham deixado saltar para o palco para se misturar com os dinossauros da boa música Blues, Pop e Rock.

Desde aí ela tem tocado com outros tantos, como o Herbie Hancock, The Roots, Hiram Bullock, Susan Tedeschi, Rod Stewart, John Mayer, Ron Holloway, Prince, etc. No entretanto apareceu este disco, que prova que além de tocar ela sabe escrever e sabe escolher os músicos com que quer lançar a sua carreira. A nós, perante tamanho talento, resta-nos estar cá deste lado e dar-lhe o reconhecimento pelo seu trabalho e singularidade, de alguém que grava um disco 4 anos após ter começado a tocar baixo!!

Mais palavras para quê? Eu vou tentar estar atento à Tal Wilkenfeld, se a conseguir acompanhar na inquietude que a parece caracterizar e aconselho toda a gente a fazer o mesmo, pois não é todos os dias que aparece um baixista a liderar projectos musicais ou com especial destaque, muito menos com esta idade e ainda menos sendo do sexo feminino e que por cima de isso tudo, já conseguiu ser convidada para o endorsement do baixo e dos amplificadores que usa. Um nome a reter. Absolutamente.

Já agora espreitem:


A tal cena no Crossroads:


Manel | Quarta, 13 Maio, 2009

© Blue Note Records 1999.
© Blue Note Records 1999.

Aqui está mais um da Blue Note, que não é só mais um, porque este disco para mim é absolutamente único. Em primeiro lugar todo ele é cool: Cool Struttin’ de nome, cool na capa, com uma imagem implícita de coolness de uma Nova York dos anos 60 e acima de tudo Sonny Clark mostra-nos que se pode ser cool e tocar com uma banda extraordinária, sem ter que se parecer com o Miles ou o Coltrane. Bom não quero ser redutor, mas a verdade é que este disco é sempre uma lufada de jazz fresco, hard bop com muito swing, que me apetece sempre ouvir e que não é apenas uma clonagem de outros bons exemplos, mas antes, demonstra ter muita personalidade. Um favorito, sem dúvida.

Manel | Terca, 12 Maio, 2009

© Blue Note Records 1999.
© Blue Note Records 1999.

Só o nome da etiqueta já diz metade, mas este grande senhor Americano, Kenny Burrell de seu nome, ainda vivo tanto quanto sei, tem sido alvo de grandes injustiças nos últimos anos da minha vida (para não dizer em todos), dado que nem o nome me era familiar! É uma grande injustiça porque a música e a carreira dele mereciam mais consideração e se lhe dermos tempo, ele enche-nos a casa de música extrordinária, digna de quem já tocou com o grande Duke Ellington e já gravou mais de 99 discos (em 2006, tanto quanto diz a wikipedia)!

Manel | Terca, 12 Maio, 2009

© Columbia Records 2007.
© Columbia Records 2007.

Ora aqui está mais um exemplo de generosidade, desta feita por parte da Columbia, que edita 5 pérolas deste meu ídolo de sempre da música Jazz, que toca acompanhado de outro gigante, de seu nome John Coltrane. A edição é muito boa, toda original e embrulhada em capas de cartão, como se se tratassem de discos de vinyl miniaturizados. O preço também é óptimo e justo, mais ainda se se tiver em conta o que “está lá dentro”. Eu até já tinha um dos discos em questão, mas ao comprar este conjunto fiquei com mais outro quatro discos pelo preço de um! Muito bom. Como diz um amigo meu: “Dúvidas e questões? Não há nem pode haver!”. Estão incluídos os albúms: ‘Round About Midnight, Milestones, 1958 Miles, Porgy and Bess e Miles Ahead.

Se o caso for não se conhecer Miles de todo, então acho que a melhor porta de entrada é o Kind of Blue (o que é quase um cliché), mas no meu caso, como esse e outros já cá cantam há muito, este foi um upgrade muito agradável!

Manel | Terca, 12 Maio, 2009

© Avid Records 2007.
© Avid Records 2007.

Para quem como eu gosta de guitarra, esta edição de quatro em um, a um preço de menos de 7€ (oficial), já com portes, no Amazon.co.uk, é um must! Do Tal Farlow eu só conhecia o nome, há muitos anos a esta parte e finalmente decidi-me a mandar vir isto e só posso dizer maravilhas! O polvo, como lhe chamavam, pelas suas mãos muito grandes e pela maneira como tocava linhas muito rápidas como se tivesse mais do que 5 dedos na mão esquerda, toca e encanta, num estilo que embora deixe adivinhar algumas influências óbvias, tem muita personalidade e bom gosto. Esta edição é um género de colecção de quatro dos seus principais discos em dois CD, mas muito respeitadora, quer por os manter na íntegra, quer pela produção que parece fiel aos originais (no que se incluem as interferências ouvidas no amplificador do guitarrista). A tomar nota: Tal Farlow - The heart and soul of Tal Farlow.


Acerca de mim

Manuel guerra
Músico das horas vagas
Artista sem palco
Nascido a 05/08/1973
www.guerra.com.pt
manel@guerra.com.pt