As feiras da música por esse mundo a fora não têm nada a ver com um ou outro modesto evento que às vezes visito em Portugal. Aqui não se vêm propriamente novidades e os representantes e vendedores esboçam uma pálida amostra do que se pode ter acesso no nosso país (o que convenhamos, corresponde à pálida realidade da oferta, infelizmente).
Tanto quanto percebo existe em Portugal um único retalhista que compreendeu o mundo em que está inserido, a avaliar pela sua presença nestes referidos eventos. Não vou passar a publicidade, mas só fazer referência a que me parece que pela sua posição no mercado, existe apenas uma loja em Portugal que já percebeu que existe a internet e que através dela chegamos com muita facilidade à Alemanha ou a Inglaterra, só a título de exemplo, ou melhor dizendo, pela web estes países chegam a nós com muito maior facilidade. Para bom entendedor, meia palavra basta!
Voltando às novidades da feira NAMM na Califórnia, este ano houve três coisas curiosas que me chamaram à atenção e guardei na memória e que passo a enumerar:
O JamHub (aqui na versão TourBus)
Como é que ninguém se tinha ainda lembrado disto? Uma caixinha onde todos os músicos se podem ligar, incluindo o baterista, especialmente se tocar com uma bateria digital e os vizinhos deixam de saber que as bandas existem! Eu sei de uns a quem me apetecia oferecer isto, mas devem ser demasiado harcore para aceitarem o sacrilégio de uma bateria dessas…
Cada músico pode definir a sua própria mistura e ouvir no seu par de headphones da melhor forma, sem ter de haver uma guerra de volumes e de vizinhos!
Além disso, nesta versão ainda há possibilidade de gravar performances em cartão digital e de ouvir acompanhado, por exemplo, de um ipod (passo a publicidade a mais este aparelho, enfim…).
Boa ideia e bem apresentada!

O pedal Fishman Aura Sixteen
Para quem, como eu, aprecia muito a reprodução de “imagens acústicas” da série Aura da Fishman, porque se gosta do som limpo e natural de uma guitarra acústica, seja ela de cordas de aço, cordas de nylon, 12 cordas, dreadnaught, jumbo, orchestra, resonator ou bandolim, eis que chega um pedal onde podemos carregar as imagens pretendidas através de um cabo USB, em vez de termos de comprar um pedal para cada um destes tipos de intrumentos, sendo que na realidade em cada um desses pedais (que até nem são baratos - mas são bons), acaba-se por só se usar um ou dois registos aos quais nos adaptamos e com os quais a nossa guitarra “casa bem”. Esta é uma grande notícia para mim, fã confesso destes aparelhinhos, que parece que vou poder reunir numa única caixa todas as imagens que realmente uso e ter toda a qualidade do som de estúdio num qualquer palco, pequeno ou grande!

A Martin Performing Guitar Series
Isto não representa uma novidade, mas antes três novidades: A Martin, construtor de guitarras pelo qual nutro especial admiração (apesar de se tratar de uma empresa grande e não precisar da minha compaixão), apareceu com três novos modelos com características revolucionárias, dedicadas a artistas de palco.
A electrónica parece ser o digno representante do estado da arte: pickup e pré-amplificador da melhor qualidade que nos habituou o staff da fishman, que inclui ainda: afinador, equalizador, anti-feedback e “imagens” Aura. A bateria e o botão para a fita de suspensão mudaram de posição e os comandos e LEDs de controlo são tão elegantes e funcionais que farão corar de inveja qualquer outro produto no mercado.
A forma da GPCPA1 faz lembrar muito uma Taylor, o que acho que é óptimo numa Taylor, mas nada de muito excitante numa MArtin e o pickguard com novo desenho, para mim, é demasiado curvilíneo e desrespeitador da elegância da herança de mais de 170 anos da marca, mas enfim… Pode-se sempre optar por uma DCPA ou OMCPA, com formas bem mais conhecidas nesta casa de construtores.
Algumas características únicas são a conjugação de vários factores únicos, como um braço redesenhado, um binding de madeira no corpo, na escala e na cabeça, o logo Martin vertical, típico das gamas altas, a escala, forra da cabeça e ponte em ébano e os embutidos madre-pérola exclusivos desta série, muito inusitados na Martin.
Vindo donde vem, tenho a certeza que é bom, mas gostava de experimentar para tentar perceber as diferenças. Mas aqui fica a nota.

Eu ando constantemente a tentar reprimir o gadget geek em mim (até porque na realidade não sou assim tanto) mas posts destes deixam-me a salivar, mesmo que não perceba exactamente para que servem os ditos gadgets.
Pelo menos acho que já consegui perceber que grande parte dos botões no JamHub não são mais que selectores de ganho independentes em cada saída e relativos a cada entrada, o que torna a coisa bastante mais simples. Isto para dar um thumbs up aos fabricantes porque um total ignorante de gadgets para música como eu não demorou mais de 10 segundos a chegar a essa conclusão, muito devido ao código de cores associado aos números. Pequenos pormenores mas que tornam a experiência do utilizador bem mais intuitiva e divertida… devo andar a ver demasiados vídeos de produtos da Apple, já estou a falar como eles.
1 | goncalo | 11 Fevereiro, 2010 às 18:50