Eu sei que me tenho de obrigar a escrever mais sobre uma data de coisas boas que se podem ouvir e que eu gosto de deixar registado, ou então coisas que acontecem, ou então coisas que aparecem, sei lá, mas a intensidade das coisas fora da bloggosfera não perdoa…
Entretanto vou cortar por agora a possibilidade de se comentarem os posts porque os spammers estão a abusar e começa a ser penoso abrir o email com todos os comentários que chegam às centenas por dia… Enfim, pode ser que a sua existência e modus operandi possa ter uma explicação e uma razão de ser, mas até que eu o compreenda desejo-lhes dez vezes o incómodo que provocam aos outros e que de uma vez por todas descubram um propósito para as suas vidas em vez de incomodarem os insignificantes como eu…
Se calhar a net tem de se controlar a si própria… se calhar é preciso, aqui também, existirem insectos e vermes para haver equilíbrio… sei lá, mas não há pachorra!
As feiras da música por esse mundo a fora não têm nada a ver com um ou outro modesto evento que às vezes visito em Portugal. Aqui não se vêm propriamente novidades e os representantes e vendedores esboçam uma pálida amostra do que se pode ter acesso no nosso país (o que convenhamos, corresponde à pálida realidade da oferta, infelizmente).
Tanto quanto percebo existe em Portugal um único retalhista que compreendeu o mundo em que está inserido, a avaliar pela sua presença nestes referidos eventos. Não vou passar a publicidade, mas só fazer referência a que me parece que pela sua posição no mercado, existe apenas uma loja em Portugal que já percebeu que existe a internet e que através dela chegamos com muita facilidade à Alemanha ou a Inglaterra, só a título de exemplo, ou melhor dizendo, pela web estes países chegam a nós com muito maior facilidade. Para bom entendedor, meia palavra basta!
Voltando às novidades da feira NAMM na Califórnia, este ano houve três coisas curiosas que me chamaram à atenção e guardei na memória e que passo a enumerar:
O JamHub (aqui na versão TourBus)
Como é que ninguém se tinha ainda lembrado disto? Uma caixinha onde todos os músicos se podem ligar, incluindo o baterista, especialmente se tocar com uma bateria digital e os vizinhos deixam de saber que as bandas existem! Eu sei de uns a quem me apetecia oferecer isto, mas devem ser demasiado harcore para aceitarem o sacrilégio de uma bateria dessas…
Cada músico pode definir a sua própria mistura e ouvir no seu par de headphones da melhor forma, sem ter de haver uma guerra de volumes e de vizinhos!
Além disso, nesta versão ainda há possibilidade de gravar performances em cartão digital e de ouvir acompanhado, por exemplo, de um ipod (passo a publicidade a mais este aparelho, enfim…).
Boa ideia e bem apresentada!

O pedal Fishman Aura Sixteen
Para quem, como eu, aprecia muito a reprodução de “imagens acústicas” da série Aura da Fishman, porque se gosta do som limpo e natural de uma guitarra acústica, seja ela de cordas de aço, cordas de nylon, 12 cordas, dreadnaught, jumbo, orchestra, resonator ou bandolim, eis que chega um pedal onde podemos carregar as imagens pretendidas através de um cabo USB, em vez de termos de comprar um pedal para cada um destes tipos de intrumentos, sendo que na realidade em cada um desses pedais (que até nem são baratos - mas são bons), acaba-se por só se usar um ou dois registos aos quais nos adaptamos e com os quais a nossa guitarra “casa bem”. Esta é uma grande notícia para mim, fã confesso destes aparelhinhos, que parece que vou poder reunir numa única caixa todas as imagens que realmente uso e ter toda a qualidade do som de estúdio num qualquer palco, pequeno ou grande!

A Martin Performing Guitar Series
Isto não representa uma novidade, mas antes três novidades: A Martin, construtor de guitarras pelo qual nutro especial admiração (apesar de se tratar de uma empresa grande e não precisar da minha compaixão), apareceu com três novos modelos com características revolucionárias, dedicadas a artistas de palco.
A electrónica parece ser o digno representante do estado da arte: pickup e pré-amplificador da melhor qualidade que nos habituou o staff da fishman, que inclui ainda: afinador, equalizador, anti-feedback e “imagens” Aura. A bateria e o botão para a fita de suspensão mudaram de posição e os comandos e LEDs de controlo são tão elegantes e funcionais que farão corar de inveja qualquer outro produto no mercado.
A forma da GPCPA1 faz lembrar muito uma Taylor, o que acho que é óptimo numa Taylor, mas nada de muito excitante numa MArtin e o pickguard com novo desenho, para mim, é demasiado curvilíneo e desrespeitador da elegância da herança de mais de 170 anos da marca, mas enfim… Pode-se sempre optar por uma DCPA ou OMCPA, com formas bem mais conhecidas nesta casa de construtores.
Algumas características únicas são a conjugação de vários factores únicos, como um braço redesenhado, um binding de madeira no corpo, na escala e na cabeça, o logo Martin vertical, típico das gamas altas, a escala, forra da cabeça e ponte em ébano e os embutidos madre-pérola exclusivos desta série, muito inusitados na Martin.
Vindo donde vem, tenho a certeza que é bom, mas gostava de experimentar para tentar perceber as diferenças. Mas aqui fica a nota.

Não tenho a certeza mas acho estar a repetir posts… talvez não. Em todo o caso, hoje acordei com isto:
Keep on riding the lightning!
Sempre achei o Bobby McFerrin um espectáculo, mas recentemente um amigo chamou-me à atenção para esta “performance”, que demonstra bem o quão genial e cerebral é o senhor, numa demonstração do poder da escala pentatónica e como ela nos está inculcada, sem sabermos explicar porquê…
Bem, já agora, não resisto a partilhar mais uma:
E mais uma:
Há imensa coisa, é só procurar!
Esta foi na rádio… uma rádio, não me lembro qual. O locutor comentava como a proximidade da natureza parece ter influenciado, nos últimos tempos, uma série de artistas na cidade de Portland. De todos os que mencionou, os únicos nomes que me ficaram na memória foi o de Peter Broderick e da irmã, Heather Woods Broderick, cujo primeiro disco, de Agosto deste ano, era final o verdadeiro objectivo da rubrica radiofónica.
Assim, e para cortar de certa forma com a onda do meu post anterior, porque melhor que qualquer tipo de atmosfera musical é a possibilidade de mudar essa mesma atmosfera, viajar e deixar-se viajar por locais interiores diferentes, ficam as propostas destes dois irmãos. Se ouvirem mais de algum deles, para lá das ocasionais incursões ao youtube, digam qualquer coisa, uma vez que o meu conhecimento não passa daí, mesmo que a curiosidade seja bem maior!
Finalmente decidi-me a ouvir um álbum dos White Stripes completo, em vez das músicas soltas na rádio/televisão e afins. Só que… quem ouve um, ouve dois (como as cerejas?), pelo que acabei por arranjar tanto Elephant como o Get Behind me Satan. Futuramente logo hei-de ouvir os anteriores e o(s) posterior(es), mas para já estes dois já chegam.
Bem… na realidade, quem é que eu estou a enganar? Não chegam nada! Eu é que não tenho carcanhol (ou paciência para sacar coisas pirateadas) para mais, nem tempo para ouvir a quantidade parva de coisas que me surgem à frente (o próximo projecto é ouvir blues antigos tipo Robert Johnson e Son House, e mais sei lá o quê a que esse caminho me levar).
Mas voltando aos White Stripes, finalmente! Até porque eu já estava à espera mas adorei o som deles. Finalmente, porque por muito que eu goste das coisas mais recentes que tenho ouvido nos últimos tempos, faltava-me algo actual mas com aquele som… cru que parece que no meu subconsciente estou sempre à procura. Não sei explicar, é assim meio visceral (mas não é suposto o rock ser assim meio visceral?). Provavelmente a minha conversa até aqui já dava para algumas consultas de psiquiatria mas… who cares! A verdade é que preciso disso.
A abordagem aparentemente imediata e verdadeira nas músicas deles (não interessa muito se o é na composição, o que interessa é a minha reacção a elas) é um pouco catártica, quando inevitavelmente todos (talvez não todos, mas a graaande maior parte) passamos os dias a ver onde pomos os pés.
Dos dois álbuns que ouvi, o Elephant é tão obviamente adequado aos meus gostos que até chateia. O Get Behind me Satan não é tão imediato mas também gostei bastante. Em todo o caso, nenhum dos dois me desiludiu, e só fico ansioso por mais. Mais White Stripes, mais rock a rebentar blues pelas costuras, mais verdade crua e primal na minha vida em geral!
E só porque é já são horas de ir beber umas cervejas e estar na palhaçada com amigos (mesmo que ainda tenha que ficar a trabalhar):
Não sou o maior conhecedor destas coisas meio indie (além de que não gosto do substantivo-adjectivo, talvez porque é daqueles que, dependendo do grupo, traz logo juízos de valor, além de que é geral cum’ó’raio). Em todo o caso, dei por mim a ouvir umas playlists de um amigo de um amigo (não, não estou a dormir) e encontrei lá uma música de um certo Cass McCombs, integrada no último álbum, que lançou este ano, Catacombs. No meio do iTunes, youtube, rádios online e afins fiz uma preview muito rápida ao álbum e não fiquei assim muito impressionado, na generalidade, mas pode ser do facto do dia já ir bem longo.
Em todo o caso, pelo contrário a tal música que ouvi na playlist de um amigo de um amigo ficou-me no ouvido:
Acho que tenho uma queda por compassos ternários e coisas meio “avalsadas”, tanto que, ainda que não ouça com muita frequência, confesso que uma vez por festa faço loops gigantes de músicas mais antigas do Yann Tiersen e farto-me de dançar… na minha mente.
Estava a ver o blog do Jens Lekman e ele falava lá de um concerto que ia dar com esta rapariga de quem era amigo. Eu já tinha ouvido o nome (”El Perro del Mar”, apesar da rapariga se chamar Sarah Assbring) mas, para dizer a verdade, ainda não conheço praticamente nada. Até agora, a avaliar pelo que ouvi, parece-me interessante o suficiente para querer ouvir mais, mesmo que talvez não tanto para fazer parte dos meus “all time classics” pessoais… pelo menos ainda.
El Perro del Mar - Glory to the World

© Columbia Records 2009.
Já não é novidade para ninguém, mas eu fui apanhado de surpresa, se calhar por andar distraído, ou porque o senhor está morto há mais de uma dezena de anos e quero contribuir para que isso não aconteça a mais ninguém.
Confesso que o CD audio não adiciona nada de muito relevante ao espólio que vou acumulando, mas em termos de vídeo, está aqui uma boa colecção de registos do próprio Jeff a falar na primeira pessoa, a actuar ou a ser descrito post mortem por outras pessoas próximas ou nem tanto. São dois DVDs e apesar da qualidade de imagem às vezes roçar o standard de alguns clips do youtube, o conjunto parece-me resultar muito bom e inspirador, no aprofundar do conhecimento deste grande ARTISTA, que me deixou imensas saudades e que tanto aprecio.
A caixinha ainda oferece um poster (a fazer passar publicidade) e uns postais engraçados, bem como um backstage pass e um livrinho com piada. Acho que vale bem o dinheiro que custa.
